Diálogo da Alma com Jesus
Esta oração a Jesus é um diálogo da alma com a Luz, feita para momentos de dor, cansaço, silêncio, busca espiritual e necessidade de consolo. Palavras para quem deseja se aproximar de Cristo com verdade, sem máscaras, e reencontrar paz, força e presença interior.
ORAÇÕES
3/20/20266 min ler


Jesus…
não venho a Ti como quem repete palavras que ouviu de outros.
Venho como quem atravessou desertos por dentro,
como quem aprendeu a cair em silêncio, e descobriu que a própria força não sustenta quando a alma sangra.
Venho sem máscaras, sem promessas fáceis.
Venho como estou.
Porque sei que Tu não pedes aparência, pedes verdade.
E a minha verdade hoje é esta: às vezes eu creio com luz, e às vezes com cansaço,
E muitas vezes eu só continuo caminhando porque já caminhei demais para voltar.
Tu me vês quando ninguém mais vê.
Me conheces quando eu mesmo me confundo.
Tu sabes onde escondo as dores que nem sei nomear.
E ainda assim, não Te afastas.
Tu permaneces.
Essa permanência Tua me desconcerta mais do que qualquer milagre.
Porque eu esperava correção, julgamento, cobrança…
e recebo presença.
Eu esperava respostas prontas…
e recebo silêncio que cura.
Eu esperava exigência…
e recebo convite.
Dizes-me sem palavras: “Vem. Anda comigo.”
Jesus, eu confesso:
muitas vezes eu quis Te seguir com a cabeça,
mas o coração vinha mancando atrás.
Eu quis Te entender antes de Te confiar.
E Te explicar antes de Te viver.
Eu quis Te transformar em conceito, doutrina, sistema…
quando Tu sempre foste Caminho vivo.
Perdoa-me por todas as vezes que tentei Te aprisionar em ideias,
quando Tu sempre foste movimento.
Perdoa-me pelas vezes que Te busquei nas alturas e Te ignorei nas pessoas.
Pelas vezes que esperei que Te manifestasses no extraordinário,
e desprezei-Te no cotidiano.
Pelos incontáveis dias que Te pedi sinais no céu
e fechei os olhos para os Teus sinais no chão.
Tu me ensinaste que o Reino não desce pronto de fora,
ele nasce dentro.
Mas quantas vezes eu quis que o mundo mudasse
sem que eu precisasse mudar primeiro?
Quantas vezes pedi justiça para fora
sem enfrentar as injustiças que ainda carrego no peito?
Quantas vezes desejei paz no mundo
enquanto alimentava guerras em pensamentos, lembranças e culpas?
Ainda assim, Tu não desististe.
Ainda assim, me chamaste de novo.
Jesus, entra nas regiões da minha alma que eu evito visitar.
Entra onde eu escondi mágoas antigas.
Entra onde eu guardei perguntas sem resposta.
Entra onde habita a criança que aprendeu a se calar.
Entra onde mora o medo de não ser suficiente.
Entra onde o amor ficou empoeirado pelo tempo.
Não com violência.
Não com pressa.
Mas com esse Teu jeito manso de quem não invade, simplesmente habita.
Há dias em que eu me sinto forte, e há dias em que mal consigo respirar por dentro.
Há dias em que eu Te sinto tão perto que quase posso tocar Teu silêncio.
E há dias em que parece que o céu inteiro ficou distante.
Jesus, ensina-me a acreditar também nos dias em que não sinto nada.
Ensina-me a caminhar pela fé que não depende de emoção.
Ensina-me a permanecer quando o fogo vira brasa.
Ensina-me a amar quando o entusiasmo acaba.
Porque eu não quero uma fé que só exista quando tudo brilha.
Quero uma fé que sobreviva quando tudo escurece.
Tu conheces minhas entregas e minhas resistências.
Sabes o quanto eu anseio por Ti
e ao mesmo tempo o quanto ainda tenho medo de me perder em Ti.
Porque seguir-Te de verdade exige morte de muitas identidades falsas.
E eu ainda me apego a algumas delas…
Por proteção.
Por costume.
Por medo do vazio que vem depois do desapego.
Jesus, dá-me coragem para soltar o que já não sou
e paciência para gestar aquilo que ainda estou me tornando.
Muitos falam de Ti como Rei.
Outros Te chamam de Mestre.
Alguns Te veem como Juiz.
Mas eu preciso Te dizer como eu Te reconheço hoje:
Tu és Aquele que se senta comigo no chão quando eu caio.
Tu és Aquele que não me apressa quando minhas pernas tremem.
Tu és Aquele que me olha sem pressa e diz sem palavras:
“Eu sei o tempo das tuas feridas.”
E isso me devolve dignidade.
Isso cura o que nenhuma explicação conseguiu curar.
Jesus, quantas vezes eu quis ser perfeito para ser digno de Te amar.
Quantas vezes achei que precisava estar pronto para me aproximar de Ti.
Quantas vezes tentei merecer o Teu amor
como se o Teu amor fosse pagamento e não origem.
Hoje eu entendo um pouco mais:
não é a minha pureza que atrai a Tua presença.
É a minha verdade.
Não é a minha força que Te chama.
É a minha entrega.
Não é a minha santidade que Te move.
É a minha sede.
Há dentro de mim uma sede que nada deste mundo saciou.
Busquei em pessoas.
Busquei em projetos.
Busquei em conhecimento.
Busquei em conquistas.
Busquei até na tentativa de ser forte demais.
Mas a sede permaneceu.
Agora eu entendo:
essa sede nasceu para Ti.
Ela não é falta, é chamado.
Ela não é fraqueza, é porta.
Ela não é carência, é sinal de origem.
Jesus, não me deixa reduzir a vida a sobrevivência.
Não me deixa transformar o sagrado em rotina vazia.
Não me deixa perder a capacidade de me espantar com o simples.
Ensina-me a contemplar novamente:
a luz atravessando uma janela,
o vento tocando as folhas,
o silêncio depois da dor,
o abraço que não foi embora,
a lágrima que virou alívio.
Ensina-me a ver-Te onde ninguém está procurando.
Porque eu sei que Tu ainda caminhas por aí,
disfarçado de gente,
escondido na poeira dos caminhos humanos.
Quando eu me sentir indigno,
lembra-me que foste Tu quem me escolheu antes que eu soubesse escolher.
Quando eu me sentir fraco,
lembra-me que a Tua força se move melhor nos vasos rachados.
Quando eu me sentir perdido,
lembra-me que o Teu chamado não depende da minha orientação perfeita,
mas da minha disposição ferida.
Quando eu me sentir sozinho,
lembra-me que nunca caminhei sem ser acompanhado,
mesmo quando não percebia.
Jesus, guarda-me do orgulho espiritual.
Guarda-me da ilusão de estar acima de alguém.
Guarda-me da tentação de usar Teu nome para me sentir melhor do que outros.
Guarda-me de transformar fé em arma,
palavra em julgamento,
verdade em arrogância.
Ensina-me a ser ponte, não muro.
Refúgio, não tribunal.
Presença, não ameaça.
Tu sabes como o mundo pesa às vezes.
Sabes como as notícias ferem.
Sabes como o medo se espalha rápido.
Sabes como a desesperança tenta se instalar como morada.
Por isso hoje eu Te peço:
começa em mim aquilo que eu gostaria de ver no mundo.
Se eu quero mais amor, começa em mim.
Se eu quero mais justiça, começa em mim.
Se eu quero mais paz, começa em mim.
Eu não quero só falar dos Teus ensinamentos.
Eu quero permitir que eles me atravessem.
Jesus, toma minhas mãos cansadas, meus pensamentos confusos.
Toma minhas memórias fragmentadas e minhas emoções em desalinho.
Toma minhas expectativas quebradas e meus sonhos tímidos.
E sopra neles novamente o Teu fôlego.
Não para que eu vire alguém famoso ou alguém poderoso.
Mas para que eu volte a ser inteiro.
Se eu tiver que passar por noites longas, fica comigo nelas.
Se eu tiver que atravessar desertos, caminha ao meu lado.
Se eu tiver que perder o que me impede de crescer, sustenta-me na perda.
Se eu tiver que silenciar para Te ouvir, ensina-me a escutar.
Se eu tiver que cair para aprender, estende Tua mão sem humilhação.
Jesus, eu não Te prometo perfeição.
Eu Te prometo presença.
Eu não Te prometo constância impecável.
Eu Te prometo retorno.
Mesmo quando eu me afastar,
mesmo quando eu me confundir,
mesmo quando eu me cansar,
que eu nunca perca o caminho de volta para Ti dentro de mim.
Que eu Te encontre não só na oração,
mas nas escolhas.
Não só no silêncio,
mas nas palavras.
Não só na intenção,
mas na atitude.
Não só na esperança,
mas na coragem diária de amar quando seria mais fácil endurecer.
Jesus, faz de mim chão onde outros possam descansar.
Faz de mim sombra onde outros possam se abrigar.
Faz de mim sopro onde outros perderam o ar.
Não por mérito.
Mas por transbordamento.
Eu não sei tudo.
Não entendo todos os mistérios.
Não compreendo todos os caminhos.
Mas hoje eu reafirmo, com o que tenho e com o que me falta:
eu escolho caminhar contigo.
Mesmo sem mapa.
Mesmo sem garantias.
Mesmo sem aplausos.
Porque algo em Ti chama algo em mim que nenhuma outra voz alcança.
E assim, Jesus,
eu encerro esta oração não com ponto final,
mas com respiração aberta.
Que ela continue enquanto eu viver.
Enquanto eu caminhar.
Enquanto eu aprender.
Enquanto eu amar.
Amém… no sentido mais antigo da palavra: “Assim seja em mim.”
Solange A Silva


